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Oficina de Autores

O professor Luiz Filgueiras organizará, a partir de abril de 2018, uma atividade complementar (Estudo Dirigido), conforme prevista no Novo Currículo de Economia, denominada de Oficina de Autores - conforme proposta, que esclarece todos os detalhes.

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA

FACULDADE DE ECONOMIA

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

ATIVIDADE COMPLEMENTAR: Oficina de Autores (Estudo Dirigido)

CARGA HORÁRIA: 30 HORAS (03 horas por semana)

HORÁRIO: 2a feira das 14 às 17 horas

PROFESSOR: Luiz A. M. Filgueiras

 

 

CONTEÚDO E CRONOGRAMA DE TRABALHO (2018.1)

(16 de abril a 18 de junho de 2018)

 

1- Os autores e as suas respectivas obras

A quarta Oficina de Autores trata, comparativamente, dois autores com visões diametralmente opostas do ponto de vista político-ideológico: o economista e filósofo austríaco Friedrich von Hayek (1899-1992) e o filósofo e historiador húngaro Karl Paul Polanyi (1886-1964).

Embora Polanyi tenha nascido antes de Hayek, e este tenha falecido 28 depois da morte de Polanyi, ambos viveram, concomitantemente, em um período histórico dos mais movimentados na história do Ocidente: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Revolução Russa (1917), a Segunda Grande Crise Geral do Capitalismo (1929-1933), a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra Fria e a experiência do Estado de Bem-Estar Social e da Socialdemocracia na Europa.

Evidentemente, suas respectivas obras, com visões e perspectivas radicalmente distintas, foram influenciadas decisivamente por essas experiências que marcaram o século XX. Coincidentemente, os livros “O Caminho da Servidão” de Hayek e “A Grande Transformação” de Polanyi - os mais conhecidos e influentes de ambos os autores - foram publicados no mesmo ano: 1944.

A mensagem básica de Hayek é de que o planejamento da economia e da sociedade pelo Estado desemboca, inevitavelmente, no totalitarismo; e isso se refere tanto ao socialismo russo quanto à socialdemocracia europeia. Na verdade, sua preocupação mais imediata era com a Inglaterra e seus governos trabalhistas. Trata-se de uma releitura do Liberalismo Clássico, adaptando-o a nova realidade do século XX (Liberalismo Contemporâneo ou Neoliberalismo), mas reiterando, segundo alguns, a tese central daquele, qual seja: a de que mercado é uma “ordem natural”. Para outros, entretanto, Hayek supera essa visão, ao reconstruir e reconsiderar o mercado como uma “ordem moral” - o que trás implicações importantes para sua visão sobre o capitalismo. Esta é uma das questões centrais que serão discutidas ao longo dessa Oficina.

Polanyi, por sua vez, apresenta uma visão sobre o capitalismo na qual Estado Nacional e mercado são inseparáveis, instituições criadas concomitantemente ainda no alvorecer das sociedades capitalistas. Nestas, as Instituições estão incrustadas na nas relações econômicas, moldando e redefinindo o comportamento dos sujeitos; a tentativa de separá-las da economia, dando livre curso ao mercado, através da constituição do “livre mercado”, é uma utopia irrealizável e que, no limite, tende a desembocar na barbárie. Portanto, a questão não é da maior ou menor intervenção do Estado na economia, mas sim a impossibilidade de constituição e funcionamento dos mercados de forma apartada das Instituições políticas e sociais - sejam estas pertencentes ao Estado ou à sociedade civil.

O momento atual do capitalismo, tanto no plano internacional quanto no Brasil, evidencia, por si mesmo, a relevância desses dois autores - muito citados, mas pouco conhecidos, e que estão subjacentes hoje, quer se saiba ou não, aos discursos, às opiniões e aos comportamentos dos sujeitos político-sociais individuais ou coletivos.

2- A organização do trabalho e a participação dos estudantes

A dinâmica da Oficina de Autores exigirá (obrigatoriamente), de cada um dos participantes, a leitura de todo o material que será objeto de discussão, em especial os livros dos autores já mencionados. Em cada uma das reuniões semanais de três horas, o material previamente selecionado e disponibilizado deverá, inicialmente, ser apresentado pelo professor e, em seguida, discutido exaustivamente com os participantes, destacando-se os seguintes pontos (roteiro de discussão): a contextualização histórico-social do autor, os seus principais aspectos biográficos, as suas principais hipóteses, as suas proposições e explicações fundamentais, as consequências teóricas e práticas de seu pensamento e as suas relações com outros autores e pensamentos.

3- A Tarefa (obrigatória) dos estudantes

Ao final do período, de cada oficina, cada um dos participantes deverá apresentar obrigatoriamente um texto (na forma de resenha, com 5 a 10 páginas) que sistematize a sua respectiva compreensão sobre o autor ou autores abordados, seguindo o roteiro de discussão acima explicitado. Adicionalmente, no que se refere ao professor responsável, este poderá elaborar um texto-didático que sintetize o autor ou autores trabalhados e que, eventualmente, possa ser publicado e/ou utilizado em disciplinas relacionadas com os temas tratados por esses autores.

Bibliografia

 

FEIJÓ, Ricardo. Economia e Filosofia na Escola Austríaca: Menger, Mises e Hayek. São Paulo: Nobel, 2000.

HAYEK, Friedrich A. O caminho da servidão (1944). São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

POLANYI, Karl. A grande transformação: as origens de nossa época (1944). Rio de Janeiro: Campus, 2000.

PRADO, Eleutério F. S. “Complexidade: Marx, Keynes e Mises”. In: Economia e complexidade. São Paulo: Plêiade, 2014.

PRADO, Eleutério F. S. “Dialética e Evolucionismo”. In: Economia, complexidade e dialética. São Paulo: Plêiade, 2009.

PRADO, Eleutério F. S. “Da ordem natural à ordem moral”. In: Economia, complexidade e dialética. São Paulo: Plêiade, 2009. 

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